Técnicas · 1 de setembro de 2026 · leitura de 7 min
Chain-of-thought e few-shot: duas técnicas de prompt que mudam os resultados
Há dezenas de "técnicas de prompt" pela internet. A maior parte é ruído. Duas valem mesmo a pena aprender porque funcionam em qualquer modelo, em qualquer tarefa, e demoram cinco minutos a perceber: chain-of-thought (pedir raciocínio passo a passo) e few-shot (dar exemplos do que queres).
Chain-of-thought: fazer o modelo pensar antes de responder
Um modelo de linguagem gera texto palavra a palavra. Se lhe pedes diretamente a resposta final de um problema com vários passos, ele "salta" para uma conclusão e muitas vezes erra. Se lhe pedes para mostrar o raciocínio primeiro, cada passo intermédio fica escrito — e cada passo seguinte é construído sobre esse, não sobre um palpite.
A instrução é literalmente esta:
Pensa passo a passo antes de dares a resposta final.
Ou, mais estruturado:
Resolve isto em etapas: 1. Reformula o que está a ser pedido, com as tuas palavras. 2. Lista os dados que tens e o que falta. 3. Trabalha o problema passo a passo, mostrando cada cálculo/decisão. 4. Só depois, dá a resposta final numa linha, precedida de "RESPOSTA:".
Quando usar
- Problemas de lógica, matemática, contas com condições.
- Decisões com vários critérios ("qual destes 3 fornecedores, dados estes trade-offs").
- Análise que exige comparar partes de um documento longo.
- Depuração de código ou de um processo — "porque é que isto falha".
Quando não vale a pena
Para tarefas diretas (reescrever um parágrafo, traduzir, resumir), o passo a passo só torna a resposta mais longa. Alguns modelos de "raciocínio" já fazem isto internamente — nesses, pedir explicitamente ajuda menos, mas não faz mal. Se só queres a conclusão, acrescenta no fim: "não mostres o raciocínio, dá só o resultado" — o modelo continua a beneficiar de o ter feito.
Few-shot: mostrar em vez de descrever
Descrever um formato em palavras é ambíguo. Mostrar dois ou três exemplos do input e do output desejado elimina a ambiguidade — o modelo copia o padrão. Chama-se "few-shot" (poucos exemplos); "zero-shot" é quando não dás nenhum.
Classifica cada mensagem de cliente como: DÚVIDA, RECLAMAÇÃO ou ELOGIO. Segue exatamente este formato: Mensagem: "Quando é que o meu pedido chega?" Categoria: DÚVIDA Mensagem: "Já é a terceira vez que o produto vem partido." Categoria: RECLAMAÇÃO Mensagem: "Adorei o atendimento, obrigado!" Categoria: ELOGIO Mensagem: "O botão de cancelar não funciona no site." Categoria:
O modelo devolve RECLAMAÇÃO — e vai manter o formato para as próximas 50 mensagens.
Few-shot é a forma mais fiável de garantir consistência de saída sem escrever um parágrafo de
regras.
Boas práticas de few-shot
- 2 a 4 exemplos chegam quase sempre. Mais do que isso raramente melhora.
- Cobre os casos difíceis — inclui um exemplo do limite entre duas categorias, não só os óbvios.
- Mantém o formato idêntico em todos os exemplos: mesmos rótulos, mesma pontuação, mesma ordem.
- Varia o conteúdo, não a estrutura — se todos os exemplos forem parecidos, o modelo aprende o tema em vez do formato.
As duas juntas
Combinam bem: dás exemplos que já incluem o raciocínio. Assim o modelo aprende não só o formato da resposta, mas o processo para lá chegar.
Exemplo: Pergunta: Um produto custa 40€ com 25% de desconto já aplicado. Qual era o preço original? Raciocínio: 40€ corresponde a 75% do original. Original = 40 / 0,75 = 53,33€. Resposta: 53,33€ Pergunta: [a tua pergunta real] Raciocínio:
Resumo
| Técnica | O que faz | Usa quando |
|---|---|---|
| Chain-of-thought | Força passos intermédios antes da conclusão | Lógica, cálculo, decisões, análise, depuração |
| Few-shot | Fixa o formato e o critério com exemplos | Classificação, extração, saída em lote, tom específico |
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